Como acontece a ALFABETIZAÇÃO DOS CEGOS e que RECURSOS podem facilitar este processo?
segunda-feira, 6 de maio de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
Síntese das aprendizagens desenvolvidas sobre o processo de alfabetização de pessoas cegas
Durante o desenvolvimento de
nosso tema de estudo foi possível esclarecer nossas dúvidas temporárias sobre o
processo de alfabetização de cegos. Apesar de mantermos o foco na compreensão
do processo de alfabetização, também tivemos a oportunidade de compreender um
pouco a respeito de como ocorrem às diversas aprendizagens das pessoas que não
possuem o recurso da visão. Através de pesquisas que o grupo realizou na
internet, entrevista com profissional da área, e pessoas cegas que aceitaram
contar um pouco de sua experiência e contribuir para o nosso aprendizado.
Uma das primeiras dúvidas
esclarecidas diz respeito ao sistema Braile, pois é através dele que se
alfabetiza uma pessoa cega. Decifrar o sistema Braile é um exercício de
decodificação de natureza perceptivo-tátil, ou seja, somente decifrá-lo não
garante aprendizagem conceitual e interpretativa necessárias ao processo da
leitura. A pré-alfabetização começa desde a estimulação precoce
quando já se desenvolve a parte tátil do bebe. Formalmente a partir dos três
anos em média, quando "acaba" a estimulação precoce, a criança começa
com o aprendizado da alfabetização em Braile.
Na escola ele irá passar por um treino auditivo para perceber que as palavras
são formadas por sílabas ou por grupos consonantais e a partir daí ele irá
associar as formas gráficas das sílabas as quais se atribuem os devidos sons.
Depois ele irá formar palavras e construir frases e textos. Segundo a professora
alfabetizadora de cegos e Técnica
em Visão Subnormal no Instituto de Audiovisão, Cleidi Favero, a metodologia
adotada pelo professor é reforçada no
INAV. Cleidi também complementa que o uso do computador é visto como uma
ferramenta importantíssima para o aprendizado e para a autonomia do deficiente
visual. Cada caso é um caso, mas normalmente se inicia o uso do computador
junto com a pré-alfabetização, como metodologia que visa integrar e auxiliar
este trabalho.
Não há uma idade certa para
que a criança cega comece a frequentar uma escola, vai depender do
desenvolvimento individual de cada uma, por exemplo, algumas terão mais
facilidade com o braile enquanto que outras podem ter seu tempo específico de
aprender.
Outra dúvida esclarecida diz
respeito aos recursos utilizados neste processo, que são:
1 - Impressora Braile: A impressora
Braile imprime o texto digitado no computador usando a grafia Braile.
2 - Sorobã: Sorobã ou ábaco, voltado para
o ensino de Matemática. É um aparelho de cálculo de procedência japonesa,
adaptado para o uso de deficientes visuais.
3 - Reglete: Tem como função o
aprendizado da escrita Braille, consiste numa prancha e uma régua com duas
linhas com janelas correspondentes às celas braile. Essas janelas se encaixam
na prancha pelas extremidades laterais. Para escrever, o papel é introduzido
entre a prancha e a régua e basta pressionar o papel com o punção, obtendo
assim os pontos em relevo. Existem modelos de mesa ou de bolso.
4 - Programas sintetizadores de
voz: São utilizados pelo deficiente visual no que se refere à recursos de
informática. São leitores de tela, que concedem um alto nível de inclusão ao
estudante cego. Conforme pesquisa realizada os mais utilizados
são: Sistema Operacional DOSVOX e NVDA.
DOSVOX: A primeira versão do
sistema (versão 1.0) foi desenvolvida em 1993 por Antônio Borges e Marcelo
Pimentel. Ele conta com mais de 10000 usuários em todo o Brasil. Pode ser
baixado e instalado gratuitamente nos computadores.
NVDA: O programa
proporciona resposta através de voz sintética e Braille, permite que pessoas
cegas ou com baixa visão tenham acesso a computadores. É desenvolvido pela NV
Access com contribuições da comunidade. Além disso, é um leitor de tela de
código aberto, isto é, pessoas podem fazer mudanças para melhorar o software
desde que saibam programar em PYTHON.
5 - Alfabeto Braile.
6 - Livro braile.
A forma como ocorre o
aprendizado, se é mais pelo tato ou mais pela audição, vai depender do estilo
perceptivo do aluno, pois uns terão maior facilidade pela audição enquanto que
outros pelo tato, e também vai depender do desenvolvimento conceitual,
psicomotor, simbólico e emocional do estudante. Por isso é importante para a
criança cega ter desde cedo experiências de aprendizagens onde exercite as vias
sensoriais (auditiva, tátil, olfativa e gustativa) porque é através dessas vias
que ela vai interpretar o mundo e se relacionar com o contexto onde vive.
Antes de decidir o momento de ensinar a simbologia
braile para uma pessoa que perdeu a visão com mais idade é necessário que o
educador preste atenção às habilidades e necessidades do aluno.
Abaixo segue alguns exemplos de fatores que
interferem na aprendizagem da leitura e da escrita Braille:
-
organização espaço-temporal;
-
interiorização do esquema corporal;
-
independência funcional dos membros superiores;
-
destreza manual;
- coordenação
bimanual;
-
independência digital;
-
desenvolvimento da sensibilidade tátil;
-
vocabulário adequado a idade;
-
pronúncia correta (diferenciação de fonemas similares);
-
compreensão verbal;
-
descriminação auditiva;
-
motivação ante a aprendizagem;
- nível
geral de maturação.
Segundo a professora Neiva
Inês Scheaefer Gutjaler da Escola Estadual de Ensino Médio Senador Alberto
Pasqualini, em Santo Ângelo R/S, “o objetivo fundamental da educação de uma
criança cega não consiste em desenvolver ao máximo os outros sentidos para
compensar a ausência da visão, mas sim consiste em incorporar esta criança,
através da linguagem, às experiências sociais das
crianças que enxergam”.
Concluímos por hora que o
professor alfabetizador, independente da especificidade do seu aluno, para
alcançar sucesso em sua prática precisa ser engajado e ter boa vontade. Aceitar
o desafio de ser um contínuo aprendiz é fundamental para estar sempre
atualizado e interagir com o meio de professores e alunos. E quanto à pergunta:
Estamos prontos para alfabetizar cegos? Pode-se responder que preparados não,
pois nos falta todo um aprofundamento prático das questões que levantamos no
decorrer do blog (aproveitamos aqui para dedicar nosso respeito a estes
profissionais), porém certamente não estamos mais tão verdes. Ficará em cada um
de nós as aprendizagens aqui registradas.
Interdisciplinaridade:
Geografia: espaço, acessibilidade
História: Leis, história do braile
Português: alfabetização, textos
Ciências: Sentidos. Visão, que parte do olho é afetada, graus de cegueira.
Artes: Limites espaciais, artesanato.
Interdisciplinaridade:
Geografia: espaço, acessibilidade
História: Leis, história do braile
Português: alfabetização, textos
Ciências: Sentidos. Visão, que parte do olho é afetada, graus de cegueira.
Artes: Limites espaciais, artesanato.
A INFORMÁTICA E A ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS CEGAS

Os poucos artigos encontrados sobre alfabetização de pessoas cegas, se referem que este processo é feito através do uso do Sistema Braille. Porém no contato diário com um aluno cego em fase de alfabetização percebe-se que a relação grafema(e aqui me refiro ao nome da letra)/foneme se deu muito antes dele saberem ler e escrever em Braile, ele descobriu o funcionamento da língua escrita antes de saber ler e escrever os pontos em Braille. Ele aprendeu o nome das letras e o som das letras através da discriminação auditiva e passam a dizer com que letras se escreve determinada palavra e se soletrava as letras da palavra ele era capazer de dizer que palavra estava sendo falada.
O aprendizado do Sistema Braille requer memorização, concentração e abstração por parte da criança em fase de alfabetização, comportamento que creio não ser muito fácil de se alcançar em uma idade tão tenra, mais difícil ainda se esta criança apresentar outras dificuldades associadas a cegueira.
O uso da Informática na alfabetização destas crianças é uma ferramenta que vem facilitar suas vidas e possibilitar um contato mais prazeroso com o mundo da escrita e da leitura. Através do uso de determinados programas a criança passa a interagir com a leitura e a escrita, e o proprio uso do Sistema Braille de forma divertida.
Pesquisando sobre o uso da informática na alfabetização de crianças cegas encontrei o Projeto DEDINHO - Alfabetização de crianças cegas com ajuda do computador , que esta sendo aplicado na Sociedade de Assistência aos Cegos de Fortaleza, achei uma iniciativa exclente vale a pena ler.
O projeto aborda alguns sofwares que auxiliam uma pessoa no nível de pré-alfabetização, partindo de graus de complexidade crescente, mas basicamente partindo do som. Através desse projeto e da observação do cotidiano de uma classe de alfabetização pode-se afirmar que o desenvolvimento da informática tem aberto um novo mundo recheado de possibilidades comunicativas e de acesso à informação.
Para o auxilio dos cegos na manipulação do computador há softwares mais sofisticadosque que podem ler toda o ecrã - tela - do computador, uma determinada linha selecionada, uma palavra ou mesmo caracteres, quando temos alguma dúvida sobre o que está escrito.
Após certo domínio da escrita, hoje,um cego não só pode navegar pelas páginas da Internet como também produzi-las, trocar e-mails com pessoas de qualquer parte do mundo, participar em chats, ler jornais e revistas, fazer compras, fazer cursos on-line, ter acesso a manuais, informação em geral, a prestadoras de serviços, jogos de entretenimento enfim, quase tudo que a WEB pode oferecer aos seus utilizadores.
Contudo, é preciso levar em conta que tudo isso depende muito dos recursos financeiros individuais, da atualização das instituições de/para cegos, das faculdades e escolas regulares em absorver essas novas necessidades especiais.
Além dos softwares como os leitores de ecrã e os sintetizadores de voz, que traduzem em informação sonora o conteúdo visual do ecrã, existem outro programas como o Openbook e o Jaws que, conjugados, permitem a leitura sonora de qualquer informação em papel. Com o scanner, o Openbook passa o texto do papel para o ecrã e depois o Jaws encarrega-se de traduzir o conteúdo em informação sonora.
Fonte:http://proavirtualg28.pbworks.com/w/page/18670712/A%20INFORM%C3%81TICA%20E%20A%20ALFABETIZA%C3%87%C3%83O%20DE%20CRIAN%C3%87AS%20CEGAS
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Vídeo - Acessibilidade
LEI No
10.098, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000.
Estabelece
normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas
portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.
Art. 2º Para
os fins desta Lei são estabelecidas as seguintes definições:
I – acessibilidade:
possibilidade e condição de alcance para utilização, com SEGURANÇA e AUTONOMIA,
dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos
transportes e dos sistemas e meios de comunicação.
O que é
acessibilidade?
É tornar o mundo
ACESSÍVEL.
Você já
parou para pensar se o mundo é acessível?
Imagens:
1- desenho
feito na calçada demarcando o espaço reservado para pessoas portadoras de deficiência
aguardarem o ônibus.
2- Telefones
públicos.
3 - Calçada
irregular e esburacada.
Pessoa com
deficiência visual: Peço ajuda?
Outra
pessoa: Ofereço ajuda?
SIM
Acessibilidade:
direito de todos
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Entrevista com Lucas Borba
1-
Você
lembra do seu primeiro dia de aula? Quais eram as expectativas? Como foi
recepcionado pela comunidade escolar?
Inicialmente,
comecei me alfabetizando no código Braile (escrita para cegos) em uma
instituição especializada aqui de Caxias do Sul, no caso a Associação de Pais e
Amigos dos Deficientes Visuais (Apadev). Por isso, em minha infância a
princípio eu só tinha contato com um pequeno número de colegas, todos com
deficiência visual em maior ou menor grau, e devido ao processo de
alfabetização só passei para uma escola regular com 8 anos de idade, um ano
depois do que seria o habitual, na época iniciando então a primeira série do
ensino fundamental e começando a estudar com um número bem maior de colegas, sendo
que todos eram então videntes (enxergavam normalmente). Sendo assim, é natural
que eu tenha ficado até bem nervoso a princípio, pois ingressar em uma escola
regular, com tantos colegas diferentes daqueles com os quais eu já estava
habituado a conviver era um grande desafio para mim. Por sorte, porém, ao menos
até onde lembro, fui muito bem recebido e, com a boa vontade da maior parte dos
professores e dos colegas, dos quais alguns, inclusive, fiquei muito amigo, fui
me habituando aos poucos. Meus primeiros quatro anos de colégio nessa minha
primeira escola regular, das três nas quais estudei até chegar à faculdade,
aliás, estão entre os melhores anos escolares que tive em minha vida.
2. Para você qual é a importância das
tecnologias assistivas? Gostaríamos de saber se os cegos torcem também pelos
avanços na área da informática e se veem inseridos.
As
tecnologias assistivas, creio, sem dúvida representam um passo enorme para o
aprimoramento do processo de inclusão. Eu mesmo, como deficiente visual, posso afirmar,
por exemplo, que certos programas de voz facilitaram a minha prática estudantil
com os professores mais ou menos no começo do Ensino Médio, possibilitando o
meu acesso ao mesmo código de linguagem utilizado pelo vidente tanto na escrita
quanto na leitura.
Com
certeza, creio que se alguém torce por avanços na área da informática, são os
cegos. O problema é que, mesmo com tanta tecnologia sendo disponibilizada,
mesmo nesse meio a questão da acessibilidade ainda é um processo de
conscientização que está em desenvolvimento. Afinal, sempre que um novo avanço
apresentado possa vir a beneficiar, e muito, mesmo a outras deficiências além
da visual, primeiro há de se verificar se tal avanço já foi devidamente
adaptado, por exemplo, justamente às tecnologias assistivas. É a questão, por
exemplo, do lançamento de um novo Windows: enquanto todos os videntes que têm
contato com a informática podem, ao menos teoricamente, manuseá-lo logo que
este é disponibilizado, nós, deficientes, temos de esperar que um leitor de
tela, por exemplo, seja adaptado ao novo produto por voluntários ou por uma
empresa especializada. O que falta, portanto, ainda é uma maior conscientização
por parte dos próprios criadores de novas tecnologias.
3. Como o professor (a) pode estar cooperando na inclusão do aluno cego
na disciplina de informática?
Principalmente,
eu diria que o essencial é boa vontade por parte do professor (a). No caso do
deficiente visual, em especial, como o que separa o modo de operar o computador
do cego e do vidente é apenas o programa de voz, o principal realmente é que o
professor de um curso regular, para videntes, se disponha a se inteirar de
alguns atalhos e comandos próprios de tais leitores e sistemas adaptados,
sempre compreendendo que, ao menos a princípio, o cego geralmente faz tudo via
teclado, evitando o mouse por ser ainda uma acessibilidade em construção.
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