Durante o desenvolvimento de
nosso tema de estudo foi possível esclarecer nossas dúvidas temporárias sobre o
processo de alfabetização de cegos. Apesar de mantermos o foco na compreensão
do processo de alfabetização, também tivemos a oportunidade de compreender um
pouco a respeito de como ocorrem às diversas aprendizagens das pessoas que não
possuem o recurso da visão. Através de pesquisas que o grupo realizou na
internet, entrevista com profissional da área, e pessoas cegas que aceitaram
contar um pouco de sua experiência e contribuir para o nosso aprendizado.
Uma das primeiras dúvidas
esclarecidas diz respeito ao sistema Braile, pois é através dele que se
alfabetiza uma pessoa cega. Decifrar o sistema Braile é um exercício de
decodificação de natureza perceptivo-tátil, ou seja, somente decifrá-lo não
garante aprendizagem conceitual e interpretativa necessárias ao processo da
leitura. A pré-alfabetização começa desde a estimulação precoce
quando já se desenvolve a parte tátil do bebe. Formalmente a partir dos três
anos em média, quando "acaba" a estimulação precoce, a criança começa
com o aprendizado da alfabetização em Braile.
Na escola ele irá passar por um treino auditivo para perceber que as palavras
são formadas por sílabas ou por grupos consonantais e a partir daí ele irá
associar as formas gráficas das sílabas as quais se atribuem os devidos sons.
Depois ele irá formar palavras e construir frases e textos. Segundo a professora
alfabetizadora de cegos e Técnica
em Visão Subnormal no Instituto de Audiovisão, Cleidi Favero, a metodologia
adotada pelo professor é reforçada no
INAV. Cleidi também complementa que o uso do computador é visto como uma
ferramenta importantíssima para o aprendizado e para a autonomia do deficiente
visual. Cada caso é um caso, mas normalmente se inicia o uso do computador
junto com a pré-alfabetização, como metodologia que visa integrar e auxiliar
este trabalho.
Não há uma idade certa para
que a criança cega comece a frequentar uma escola, vai depender do
desenvolvimento individual de cada uma, por exemplo, algumas terão mais
facilidade com o braile enquanto que outras podem ter seu tempo específico de
aprender.
Outra dúvida esclarecida diz
respeito aos recursos utilizados neste processo, que são:
1 - Impressora Braile: A impressora
Braile imprime o texto digitado no computador usando a grafia Braile.
2 - Sorobã: Sorobã ou ábaco, voltado para
o ensino de Matemática. É um aparelho de cálculo de procedência japonesa,
adaptado para o uso de deficientes visuais.
3 - Reglete: Tem como função o
aprendizado da escrita Braille, consiste numa prancha e uma régua com duas
linhas com janelas correspondentes às celas braile. Essas janelas se encaixam
na prancha pelas extremidades laterais. Para escrever, o papel é introduzido
entre a prancha e a régua e basta pressionar o papel com o punção, obtendo
assim os pontos em relevo. Existem modelos de mesa ou de bolso.
4 - Programas sintetizadores de
voz: São utilizados pelo deficiente visual no que se refere à recursos de
informática. São leitores de tela, que concedem um alto nível de inclusão ao
estudante cego. Conforme pesquisa realizada os mais utilizados
são: Sistema Operacional DOSVOX e NVDA.
DOSVOX: A primeira versão do
sistema (versão 1.0) foi desenvolvida em 1993 por Antônio Borges e Marcelo
Pimentel. Ele conta com mais de 10000 usuários em todo o Brasil. Pode ser
baixado e instalado gratuitamente nos computadores.
NVDA: O programa
proporciona resposta através de voz sintética e Braille, permite que pessoas
cegas ou com baixa visão tenham acesso a computadores. É desenvolvido pela NV
Access com contribuições da comunidade. Além disso, é um leitor de tela de
código aberto, isto é, pessoas podem fazer mudanças para melhorar o software
desde que saibam programar em PYTHON.
5 - Alfabeto Braile.
6 - Livro braile.
A forma como ocorre o
aprendizado, se é mais pelo tato ou mais pela audição, vai depender do estilo
perceptivo do aluno, pois uns terão maior facilidade pela audição enquanto que
outros pelo tato, e também vai depender do desenvolvimento conceitual,
psicomotor, simbólico e emocional do estudante. Por isso é importante para a
criança cega ter desde cedo experiências de aprendizagens onde exercite as vias
sensoriais (auditiva, tátil, olfativa e gustativa) porque é através dessas vias
que ela vai interpretar o mundo e se relacionar com o contexto onde vive.
Antes de decidir o momento de ensinar a simbologia
braile para uma pessoa que perdeu a visão com mais idade é necessário que o
educador preste atenção às habilidades e necessidades do aluno.
Abaixo segue alguns exemplos de fatores que
interferem na aprendizagem da leitura e da escrita Braille:
-
organização espaço-temporal;
-
interiorização do esquema corporal;
-
independência funcional dos membros superiores;
-
destreza manual;
- coordenação
bimanual;
-
independência digital;
-
desenvolvimento da sensibilidade tátil;
-
vocabulário adequado a idade;
-
pronúncia correta (diferenciação de fonemas similares);
-
compreensão verbal;
-
descriminação auditiva;
-
motivação ante a aprendizagem;
- nível
geral de maturação.
Segundo a professora Neiva
Inês Scheaefer Gutjaler da Escola Estadual de Ensino Médio Senador Alberto
Pasqualini, em Santo Ângelo R/S, “o objetivo fundamental da educação de uma
criança cega não consiste em desenvolver ao máximo os outros sentidos para
compensar a ausência da visão, mas sim consiste em incorporar esta criança,
através da linguagem, às experiências sociais das
crianças que enxergam”.
Concluímos por hora que o
professor alfabetizador, independente da especificidade do seu aluno, para
alcançar sucesso em sua prática precisa ser engajado e ter boa vontade. Aceitar
o desafio de ser um contínuo aprendiz é fundamental para estar sempre
atualizado e interagir com o meio de professores e alunos. E quanto à pergunta:
Estamos prontos para alfabetizar cegos? Pode-se responder que preparados não,
pois nos falta todo um aprofundamento prático das questões que levantamos no
decorrer do blog (aproveitamos aqui para dedicar nosso respeito a estes
profissionais), porém certamente não estamos mais tão verdes. Ficará em cada um
de nós as aprendizagens aqui registradas.
Interdisciplinaridade:
Geografia: espaço, acessibilidade
História: Leis, história do braile
Português: alfabetização, textos
Ciências: Sentidos. Visão, que parte do olho é afetada, graus de cegueira.
Artes: Limites espaciais, artesanato.
Interdisciplinaridade:
Geografia: espaço, acessibilidade
História: Leis, história do braile
Português: alfabetização, textos
Ciências: Sentidos. Visão, que parte do olho é afetada, graus de cegueira.
Artes: Limites espaciais, artesanato.
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