Como acontece a ALFABETIZAÇÃO DOS CEGOS e que RECURSOS podem facilitar este processo?
segunda-feira, 6 de maio de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
Síntese das aprendizagens desenvolvidas sobre o processo de alfabetização de pessoas cegas
Durante o desenvolvimento de
nosso tema de estudo foi possível esclarecer nossas dúvidas temporárias sobre o
processo de alfabetização de cegos. Apesar de mantermos o foco na compreensão
do processo de alfabetização, também tivemos a oportunidade de compreender um
pouco a respeito de como ocorrem às diversas aprendizagens das pessoas que não
possuem o recurso da visão. Através de pesquisas que o grupo realizou na
internet, entrevista com profissional da área, e pessoas cegas que aceitaram
contar um pouco de sua experiência e contribuir para o nosso aprendizado.
Uma das primeiras dúvidas
esclarecidas diz respeito ao sistema Braile, pois é através dele que se
alfabetiza uma pessoa cega. Decifrar o sistema Braile é um exercício de
decodificação de natureza perceptivo-tátil, ou seja, somente decifrá-lo não
garante aprendizagem conceitual e interpretativa necessárias ao processo da
leitura. A pré-alfabetização começa desde a estimulação precoce
quando já se desenvolve a parte tátil do bebe. Formalmente a partir dos três
anos em média, quando "acaba" a estimulação precoce, a criança começa
com o aprendizado da alfabetização em Braile.
Na escola ele irá passar por um treino auditivo para perceber que as palavras
são formadas por sílabas ou por grupos consonantais e a partir daí ele irá
associar as formas gráficas das sílabas as quais se atribuem os devidos sons.
Depois ele irá formar palavras e construir frases e textos. Segundo a professora
alfabetizadora de cegos e Técnica
em Visão Subnormal no Instituto de Audiovisão, Cleidi Favero, a metodologia
adotada pelo professor é reforçada no
INAV. Cleidi também complementa que o uso do computador é visto como uma
ferramenta importantíssima para o aprendizado e para a autonomia do deficiente
visual. Cada caso é um caso, mas normalmente se inicia o uso do computador
junto com a pré-alfabetização, como metodologia que visa integrar e auxiliar
este trabalho.
Não há uma idade certa para
que a criança cega comece a frequentar uma escola, vai depender do
desenvolvimento individual de cada uma, por exemplo, algumas terão mais
facilidade com o braile enquanto que outras podem ter seu tempo específico de
aprender.
Outra dúvida esclarecida diz
respeito aos recursos utilizados neste processo, que são:
1 - Impressora Braile: A impressora
Braile imprime o texto digitado no computador usando a grafia Braile.
2 - Sorobã: Sorobã ou ábaco, voltado para
o ensino de Matemática. É um aparelho de cálculo de procedência japonesa,
adaptado para o uso de deficientes visuais.
3 - Reglete: Tem como função o
aprendizado da escrita Braille, consiste numa prancha e uma régua com duas
linhas com janelas correspondentes às celas braile. Essas janelas se encaixam
na prancha pelas extremidades laterais. Para escrever, o papel é introduzido
entre a prancha e a régua e basta pressionar o papel com o punção, obtendo
assim os pontos em relevo. Existem modelos de mesa ou de bolso.
4 - Programas sintetizadores de
voz: São utilizados pelo deficiente visual no que se refere à recursos de
informática. São leitores de tela, que concedem um alto nível de inclusão ao
estudante cego. Conforme pesquisa realizada os mais utilizados
são: Sistema Operacional DOSVOX e NVDA.
DOSVOX: A primeira versão do
sistema (versão 1.0) foi desenvolvida em 1993 por Antônio Borges e Marcelo
Pimentel. Ele conta com mais de 10000 usuários em todo o Brasil. Pode ser
baixado e instalado gratuitamente nos computadores.
NVDA: O programa
proporciona resposta através de voz sintética e Braille, permite que pessoas
cegas ou com baixa visão tenham acesso a computadores. É desenvolvido pela NV
Access com contribuições da comunidade. Além disso, é um leitor de tela de
código aberto, isto é, pessoas podem fazer mudanças para melhorar o software
desde que saibam programar em PYTHON.
5 - Alfabeto Braile.
6 - Livro braile.
A forma como ocorre o
aprendizado, se é mais pelo tato ou mais pela audição, vai depender do estilo
perceptivo do aluno, pois uns terão maior facilidade pela audição enquanto que
outros pelo tato, e também vai depender do desenvolvimento conceitual,
psicomotor, simbólico e emocional do estudante. Por isso é importante para a
criança cega ter desde cedo experiências de aprendizagens onde exercite as vias
sensoriais (auditiva, tátil, olfativa e gustativa) porque é através dessas vias
que ela vai interpretar o mundo e se relacionar com o contexto onde vive.
Antes de decidir o momento de ensinar a simbologia
braile para uma pessoa que perdeu a visão com mais idade é necessário que o
educador preste atenção às habilidades e necessidades do aluno.
Abaixo segue alguns exemplos de fatores que
interferem na aprendizagem da leitura e da escrita Braille:
-
organização espaço-temporal;
-
interiorização do esquema corporal;
-
independência funcional dos membros superiores;
-
destreza manual;
- coordenação
bimanual;
-
independência digital;
-
desenvolvimento da sensibilidade tátil;
-
vocabulário adequado a idade;
-
pronúncia correta (diferenciação de fonemas similares);
-
compreensão verbal;
-
descriminação auditiva;
-
motivação ante a aprendizagem;
- nível
geral de maturação.
Segundo a professora Neiva
Inês Scheaefer Gutjaler da Escola Estadual de Ensino Médio Senador Alberto
Pasqualini, em Santo Ângelo R/S, “o objetivo fundamental da educação de uma
criança cega não consiste em desenvolver ao máximo os outros sentidos para
compensar a ausência da visão, mas sim consiste em incorporar esta criança,
através da linguagem, às experiências sociais das
crianças que enxergam”.
Concluímos por hora que o
professor alfabetizador, independente da especificidade do seu aluno, para
alcançar sucesso em sua prática precisa ser engajado e ter boa vontade. Aceitar
o desafio de ser um contínuo aprendiz é fundamental para estar sempre
atualizado e interagir com o meio de professores e alunos. E quanto à pergunta:
Estamos prontos para alfabetizar cegos? Pode-se responder que preparados não,
pois nos falta todo um aprofundamento prático das questões que levantamos no
decorrer do blog (aproveitamos aqui para dedicar nosso respeito a estes
profissionais), porém certamente não estamos mais tão verdes. Ficará em cada um
de nós as aprendizagens aqui registradas.
Interdisciplinaridade:
Geografia: espaço, acessibilidade
História: Leis, história do braile
Português: alfabetização, textos
Ciências: Sentidos. Visão, que parte do olho é afetada, graus de cegueira.
Artes: Limites espaciais, artesanato.
Interdisciplinaridade:
Geografia: espaço, acessibilidade
História: Leis, história do braile
Português: alfabetização, textos
Ciências: Sentidos. Visão, que parte do olho é afetada, graus de cegueira.
Artes: Limites espaciais, artesanato.
A INFORMÁTICA E A ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS CEGAS

Os poucos artigos encontrados sobre alfabetização de pessoas cegas, se referem que este processo é feito através do uso do Sistema Braille. Porém no contato diário com um aluno cego em fase de alfabetização percebe-se que a relação grafema(e aqui me refiro ao nome da letra)/foneme se deu muito antes dele saberem ler e escrever em Braile, ele descobriu o funcionamento da língua escrita antes de saber ler e escrever os pontos em Braille. Ele aprendeu o nome das letras e o som das letras através da discriminação auditiva e passam a dizer com que letras se escreve determinada palavra e se soletrava as letras da palavra ele era capazer de dizer que palavra estava sendo falada.
O aprendizado do Sistema Braille requer memorização, concentração e abstração por parte da criança em fase de alfabetização, comportamento que creio não ser muito fácil de se alcançar em uma idade tão tenra, mais difícil ainda se esta criança apresentar outras dificuldades associadas a cegueira.
O uso da Informática na alfabetização destas crianças é uma ferramenta que vem facilitar suas vidas e possibilitar um contato mais prazeroso com o mundo da escrita e da leitura. Através do uso de determinados programas a criança passa a interagir com a leitura e a escrita, e o proprio uso do Sistema Braille de forma divertida.
Pesquisando sobre o uso da informática na alfabetização de crianças cegas encontrei o Projeto DEDINHO - Alfabetização de crianças cegas com ajuda do computador , que esta sendo aplicado na Sociedade de Assistência aos Cegos de Fortaleza, achei uma iniciativa exclente vale a pena ler.
O projeto aborda alguns sofwares que auxiliam uma pessoa no nível de pré-alfabetização, partindo de graus de complexidade crescente, mas basicamente partindo do som. Através desse projeto e da observação do cotidiano de uma classe de alfabetização pode-se afirmar que o desenvolvimento da informática tem aberto um novo mundo recheado de possibilidades comunicativas e de acesso à informação.
Para o auxilio dos cegos na manipulação do computador há softwares mais sofisticadosque que podem ler toda o ecrã - tela - do computador, uma determinada linha selecionada, uma palavra ou mesmo caracteres, quando temos alguma dúvida sobre o que está escrito.
Após certo domínio da escrita, hoje,um cego não só pode navegar pelas páginas da Internet como também produzi-las, trocar e-mails com pessoas de qualquer parte do mundo, participar em chats, ler jornais e revistas, fazer compras, fazer cursos on-line, ter acesso a manuais, informação em geral, a prestadoras de serviços, jogos de entretenimento enfim, quase tudo que a WEB pode oferecer aos seus utilizadores.
Contudo, é preciso levar em conta que tudo isso depende muito dos recursos financeiros individuais, da atualização das instituições de/para cegos, das faculdades e escolas regulares em absorver essas novas necessidades especiais.
Além dos softwares como os leitores de ecrã e os sintetizadores de voz, que traduzem em informação sonora o conteúdo visual do ecrã, existem outro programas como o Openbook e o Jaws que, conjugados, permitem a leitura sonora de qualquer informação em papel. Com o scanner, o Openbook passa o texto do papel para o ecrã e depois o Jaws encarrega-se de traduzir o conteúdo em informação sonora.
Fonte:http://proavirtualg28.pbworks.com/w/page/18670712/A%20INFORM%C3%81TICA%20E%20A%20ALFABETIZA%C3%87%C3%83O%20DE%20CRIAN%C3%87AS%20CEGAS
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Vídeo - Acessibilidade
LEI No
10.098, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000.
Estabelece
normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas
portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.
Art. 2º Para
os fins desta Lei são estabelecidas as seguintes definições:
I – acessibilidade:
possibilidade e condição de alcance para utilização, com SEGURANÇA e AUTONOMIA,
dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos
transportes e dos sistemas e meios de comunicação.
O que é
acessibilidade?
É tornar o mundo
ACESSÍVEL.
Você já
parou para pensar se o mundo é acessível?
Imagens:
1- desenho
feito na calçada demarcando o espaço reservado para pessoas portadoras de deficiência
aguardarem o ônibus.
2- Telefones
públicos.
3 - Calçada
irregular e esburacada.
Pessoa com
deficiência visual: Peço ajuda?
Outra
pessoa: Ofereço ajuda?
SIM
Acessibilidade:
direito de todos
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Entrevista com Lucas Borba
1-
Você
lembra do seu primeiro dia de aula? Quais eram as expectativas? Como foi
recepcionado pela comunidade escolar?
Inicialmente,
comecei me alfabetizando no código Braile (escrita para cegos) em uma
instituição especializada aqui de Caxias do Sul, no caso a Associação de Pais e
Amigos dos Deficientes Visuais (Apadev). Por isso, em minha infância a
princípio eu só tinha contato com um pequeno número de colegas, todos com
deficiência visual em maior ou menor grau, e devido ao processo de
alfabetização só passei para uma escola regular com 8 anos de idade, um ano
depois do que seria o habitual, na época iniciando então a primeira série do
ensino fundamental e começando a estudar com um número bem maior de colegas, sendo
que todos eram então videntes (enxergavam normalmente). Sendo assim, é natural
que eu tenha ficado até bem nervoso a princípio, pois ingressar em uma escola
regular, com tantos colegas diferentes daqueles com os quais eu já estava
habituado a conviver era um grande desafio para mim. Por sorte, porém, ao menos
até onde lembro, fui muito bem recebido e, com a boa vontade da maior parte dos
professores e dos colegas, dos quais alguns, inclusive, fiquei muito amigo, fui
me habituando aos poucos. Meus primeiros quatro anos de colégio nessa minha
primeira escola regular, das três nas quais estudei até chegar à faculdade,
aliás, estão entre os melhores anos escolares que tive em minha vida.
2. Para você qual é a importância das
tecnologias assistivas? Gostaríamos de saber se os cegos torcem também pelos
avanços na área da informática e se veem inseridos.
As
tecnologias assistivas, creio, sem dúvida representam um passo enorme para o
aprimoramento do processo de inclusão. Eu mesmo, como deficiente visual, posso afirmar,
por exemplo, que certos programas de voz facilitaram a minha prática estudantil
com os professores mais ou menos no começo do Ensino Médio, possibilitando o
meu acesso ao mesmo código de linguagem utilizado pelo vidente tanto na escrita
quanto na leitura.
Com
certeza, creio que se alguém torce por avanços na área da informática, são os
cegos. O problema é que, mesmo com tanta tecnologia sendo disponibilizada,
mesmo nesse meio a questão da acessibilidade ainda é um processo de
conscientização que está em desenvolvimento. Afinal, sempre que um novo avanço
apresentado possa vir a beneficiar, e muito, mesmo a outras deficiências além
da visual, primeiro há de se verificar se tal avanço já foi devidamente
adaptado, por exemplo, justamente às tecnologias assistivas. É a questão, por
exemplo, do lançamento de um novo Windows: enquanto todos os videntes que têm
contato com a informática podem, ao menos teoricamente, manuseá-lo logo que
este é disponibilizado, nós, deficientes, temos de esperar que um leitor de
tela, por exemplo, seja adaptado ao novo produto por voluntários ou por uma
empresa especializada. O que falta, portanto, ainda é uma maior conscientização
por parte dos próprios criadores de novas tecnologias.
3. Como o professor (a) pode estar cooperando na inclusão do aluno cego
na disciplina de informática?
Principalmente,
eu diria que o essencial é boa vontade por parte do professor (a). No caso do
deficiente visual, em especial, como o que separa o modo de operar o computador
do cego e do vidente é apenas o programa de voz, o principal realmente é que o
professor de um curso regular, para videntes, se disponha a se inteirar de
alguns atalhos e comandos próprios de tais leitores e sistemas adaptados,
sempre compreendendo que, ao menos a princípio, o cego geralmente faz tudo via
teclado, evitando o mouse por ser ainda uma acessibilidade em construção.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Entrevista com Cleidi (INAV/Caxias do sul)

Entrevista realizada com Cleidi Favero – Técnica em Visão Subnormal e alfabetizadora de cegos do INAV (Instituto de Audiovisão/Caxias do Sul-RS) .
Missão do INAV: Oferecer oportunidade de educação, habilitação e reabilitação visando a inclusão social de pessoas surdocegas, cegas e com baixa visão associadas ou não a outras deficiências, sem limite de idade.
- Com que idade as crianças cegas são alfabetizadas em braile?
As crianças aprendem Braille desde sempre, pensando-se que o sistema braille é basicamente através do tato, a pré-alfabetização começa desde a estimulação precoce quando já se desenvolve a parte tátil do bebe. Formalmente a partir dos 3 anos em média, quando "acaba" a estimulação precoce, a criança começa com o aprendizado da alfabetização em Braille.
- Qual é a metodologia utilizada na alfabetização de cegos e quais recursos são utilizados?
A metodologia difere para cada caso, mas basicamente é o desenvolvimento tátil, posições dos pontos e sequênvcia dos seis pontos para a escrita Braille. Esta metodologia é para o trabalho técnico, mas na escola é reforçado por nós a metodologia adotada pelo professor para a alfabetização.
- Com que idade as crianças aprendem a usar o computador bem como os softwares sintetizadores de voz? É ao mesmo tempo que aprendem braile?
Atualmente o computador é visto como uma ferramenta importantíssima para o aprendizada e para a autonomia do deficiente visual. Novamente, cada caso é um caso, mas normalmente se inicia o uso do computador junto com a pré-alfabetização, com metodologia que visa integrar e auxiliar este trabalho.
- Para ser alfabetizadora de cegos, o profissional deve ter alguma preparação ou especialização?
Basicamente deve ter boa vontade, mas , evidentemente, não somente isto. Primeiramente, tem que saber o Braille e receber auxilio de um técnico na área para aprender os passos a serem seguidos; como todo profissional da área, deverá "olhar" para o aluno e estabelecer objetivos de acordo com este olhar.
- Quais dificuldades você encontra na alfabetização de cegos?
O processo se torna mais dificil quando se inicia tarde; a falta do conhecimento do sistema Braille pelos familiares, que desta forma não conseguem acompanhar o aprendizado e, também, o alto custo para a aquisição da máquina Braille.
- Na sua opinião qual é a importância dos cegos estarem inseridos digitalmente?
Eu até não falaria somente em importância mas sim em necessidade básica. Hoje em dia o maior aliado na deficiência é a tecnologia e, penso, que é através dela que conseguiremos dar plena autonomia e verdadeira inclusão social.
Para mais informações sobre o INAV: http://www.inav-caxias.net/
quarta-feira, 24 de abril de 2013
"Dispositivo para pessoas cegas transforma imagens em sons"
Pesquisas recentes apresentam um novo dispositivo para tornar mais acessível a vida das pessoas cegas. Segue o link com a notícia completa:
http://super.abril.com.br/blogs/superblog/dispositivo-para-pessoas-cegas-transforma-imagens-em-sons/
Recursos para alunos com cegueira
Os recursos didáticos são de suma importância na educação de pessoas cegas, são meios fundamentais à autonomia e integração, com o objetivo de permitir o exercício das atividades cotidianas e participação na vida escolar, profissional e social.
A carência de material adequado pode conduzir a aprendizagem da criança a um mero verbalismo desvinculado da realidade, pois a formação dos cegos depende do contato com o mundo necessitando de motivação. Alguns recursos podem auxiliar no aprendizado, o manuseio de diferentes materiais, possibilita a percepção tátil e auxilia a realizar suas aprendizagens mais eficientemente.
A baixo segue alguns exemplos de recursos que é possível visualizar na montagem de fotos:
- Impressora Braile:
A impressora Braile imprime o texto digitado no computador, usando a grafia Braile.
- Sorobã:
Outro recurso utilizado no universo da deficiência visual é o sorobã ou ábaco, voltado para o ensino de Matemática. É um aparelho de cálculo de procedência japonesa, adaptado para o uso de deficientes visuais.
- Reglete:
Tem como função o aprendizado da escrita Braille, consiste numa prancha e uma régua com duas linhas com janelas correspondentes às celas braile. Essas janelas se encaixam na prancha pelas extremidades laterais. Para escrever, o papel é introduzido entre a prancha e a régua e basta pressionar o papel com o punção, obtendo assim os pontos em relevo. Existem modelos de mesa ou de bolso
- Programas sintetizadores de voz:
São utilizados pelo
deficiente visual no que se refere à recursos. Os leitores de tela, que concedem
um alto nível de inclusão ao deficiente visual/cego. Conforme pesquisa realizada os mais utilizados são: Sistema Operacional DOSVOX e NVDA (NONVISUAL DESKTOP ACCESS).
DOSVOX: A primeira versão do sistema (versão 1.0) foi desenvolvida em 1993 pelo Antônio Borges e Marcelo Pimentel. Ele conta com mais de 10000 usuários em todo o Brasil. Pode ser baixado e instalado gratuitamente nos computadores. Conheça o projeto DOSVOX: HTTP://intervox.nce.ufrj.br/ dosvox
NVDA: O programa proporciona resposta através de voz sintética e Braille, permite que pessoas cegas ou com baixa visão tenham acesso a computadores. É desenvolvido pela NV Access com contribuições da comunidade. Além disso, é um leitor de tela de código aberto, isto é, pessoas podem fazer mudanças para melhorar o software desde que saibam programar em PYTHON.
Site oficial: http://www.nvda-project.org
- Bengala: Acessório que ajuda o cego a se locomover.
- Alfabeto Braile:
- Livro braile:
terça-feira, 23 de abril de 2013
HQ: Meu primeiro dia de aula
História em quadrinhos: Meu primeiro dia de aula
Quadrinho1 - Dorinha, menina cega, pensando: Como será quando eu chegar na escola? Será que vai dar tudo certo?... Estou ansiosa.
Quadrinho 2- Chegada na escola.
Quadrinho 3- Menino diz: Que legal! Seja muito bem vinda!
Quarinho 4: Na sala de aula menina diz: Colega, venha se sentar comigo!
Dorinha : Claro, obrigada!
Quadrinho 5: Professora diz: Bom pessoal hoje vamos aprender
um pouco sobre os animais terrestres... Peguem os seus livros na página 12...
Quadrinho 6: professora diz: Dorinha fiz uma impressão para você em braile.
Dorinha: Obrigada! Mas ganhei de meus pais um notebook e
estou aprendendo a utilizar o NVDA, que é uma plataforma para leitura de tela,
um programa em código aberto que vai ler o Windows.
Professora: Que bacana! Como funciona? Posso salvar em
qualquer extensão? Terei cuidado para lhe enviar sempre com antecedência o
material.
Quadrinho 7 (último):Todos aprendem juntos.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
segunda-feira, 15 de abril de 2013
HQ: A nova colega por Aline F. e Talita
História em quadrinhos: A nova colega
Quadrinho 1 - Alunos na frente da escola.
Quadrinho 1 - Alunos na frente da escola.
Menina: Olha! Temos uma colega nova!
Menino:Vamos lá falar com ela.
Quadrinho 2
Quadrinho 2
Menino: Olá! Seja bem vinda!
Dorinha (menina cega): Oi! Meu nome é Dorinha!
Qual é a sua turma?
Quadrinho 3
Quadrinho 3
Menina: Somos da turma 52!
Dorinha: Eu também!
Quadrinho 4: Chegando na sala...
Quadrinho 5
Quadrinho 5
Meninas da turma: O que você usa para ler e escrever?
Dorinha : Hum... eu uso...
Quadrinho 6 - Dorinha pensando em livro em braile, máquina de escrever braile...
Quadrinho 7 - No pátio da escola.
Quadrinho 6 - Dorinha pensando em livro em braile, máquina de escrever braile...
Quadrinho 7 - No pátio da escola.
Meninas da turma: Uau! Que legal!
Dorinha: Bom, vou indo pois tenho muito o que fazer...
Tchau!
Quadrinho 8: Dorinha pensando em suas atividades: natação,
futebol, judô, corrida...
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Curiosidade: Como surgiu a escrita braile???
Pesquisamos a história da escrita braile pois entendemos que para compreender o processo da alfabetização dos cegos é necessário ter conhecimento dos recursos que podem auxiliar esta ação.
Uma destas é a escrita braile. Sabemos que a qualificação profissional é uma questão delicada visto que muitas vezes parte única e exclusivamente da responsabilidade financeira do educador mas, registramos que é essencial para a criança contar com a aplicação de estratégias ou técnicas de estimulação específicas por um profissional com formação sólida.
Abaixo a história da escrita em braile:
Uma destas é a escrita braile. Sabemos que a qualificação profissional é uma questão delicada visto que muitas vezes parte única e exclusivamente da responsabilidade financeira do educador mas, registramos que é essencial para a criança contar com a aplicação de estratégias ou técnicas de estimulação específicas por um profissional com formação sólida.
Abaixo a história da escrita em braile:
HISTÓRIA DO SISTEMA BRAILLE
Alfabeto, pontuação e números em braile:O Sistema Braille é um código universal de leitura tátil e de escrita, usado por pessoas cegas, inventado na França por Louis Braille, um jovem cego. Reconhece-se o ano de 1825 como o marco dessa importante conquista para a educação e a integração dos deficientes visuais na sociedade.
Antes desse histórico invento, registraram-se inúmeras tentativas, em diferentes países, no sentido de encontrar-se um meio que proporcionasse às pessoas cegas condições de ler e escrever. Dentre essas tentativas, destaca-se o processo de representação dos caracteres comuns com linhas em alto-relevo, adaptado pelo francês Valentin Hauy, fundador da primeira escola para cegos no mundo, em 1784, na cidade de Paris, denominada Instituto Real dos Jovens Cegos.
Foi nessa escola, onde os estudantes cegos tinham acesso apenas à leitura, pelo processo de Valentin Hauy, que estudou Louis Braille. Até então, não havia recurso que permitisse à pessoa cega comunicar-se pela escrita individual.
Louis Braille, ainda jovem estudante, tomou conhecimento de uma invenção denominada sonografia, ou código militar, desenvolvida por Charles Barbier, oficial do exército francês. O invento tinha como objetivo possibilitar a comunicação noturna entre oficiais nas campanhas de guerra.
Baseava-se em doze sinais, compreendendo linhas e pontos salientes, representando sílabas na língua francesa. O invento de Barbier não logrou êxito no que se propunha, inicialmente. O bem-intencionado oficial levou seu invento para ser experimentado entre as pessoas cegas do Instituto Real dos Jovens Cegos.
A significação tátil dos pontos em relevo do invento de Barbier foi a base para a criação do Sistema Braille, aplicável tanto na leitura como na escrita por pessoas cegas e cuja estrutura diverge fundamentalmente do processo que inspirou seu inventor. O Sistema Braille, utilizando seis pontos em relevo dispostos em duas colunas, possibilita a formação de 63 símbolos diferentes, usados em textos literários nos diversos idiomas, como também nas simbologias matemática e científica em geral, na música e, recentemente, na Informática.
A partir da invenção do Sistema Braille, em 1825, seu autor desenvolveu estudos que resultaram, em 1837, na proposta que definiu a estrutura básica do sistema, ainda hoje utilizada mundialmente. Comprovadamente, o Sistema Braille teve plena aceitação por parte das pessoas cegas, tendo-se registrado, no entanto, algumas tentativas para a adoção de outras formas de leitura e escrita e ainda outras, sem resultado prático, para aperfeiçoamento da invenção de Louis Braille.
Apesar de algumas resistências mais ou menos prolongadas em outros países da Europa e nos Estados Unidos, o Sistema Braille, por sua eficiência e vasta aplicabilidade, impôs-se definitivamente como o melhor meio de leitura e de escrita para as pessoas cegas.
O Sistema Braille consta do arranjo de seis pontos em relevo, dispostos em duas colunas de três pontos, configurando um retângulo de seis milímetros de altura por aproximadamente três milímetros de largura. Os seis pontos formam o que se convencionou chamar "cela Braille". Para facilitar sua identificação, os pontos são numerados da seguinte forma:
do alto para baixo, coluna da esquerda: pontos 123;
do alto para baixo, coluna da direita: pontos 456.Conforme forem combinados os pontos entre si, formar-se-ão as letras; por exemplo, o ponto 1, sozinho, representa o "a".
É fácil saber qual dos pontos está determinado, pois são colocados sempre na mesma disposição.
As diferentes disposições desses seis pontos permitem a formação de 63 combinações, ou símbolos Braille. As dez primeiras letras do alfabeto são formadas pelas diversas combinações possíveis dos quatro pontos superiores (1245); as dez letras seguintes são as combinações das dez primeiras letras, acrescidas do ponto 3, e formam a segunda linha de sinais. A terceira linha é formada pelo acréscimo dos pontos 3 e 6 às combinações da primeira linha.
Os símbolos da primeira linha são as dez primeiras letras do alfabeto romano (a-j). Esses mesmos sinais, na mesma ordem, assumem características de valores numéricos 1-0, quando precedidas do sinal do número, formado pelos pontos 3456.
No alfabeto romano, vinte e seis sinais são utilizados para o alfabeto, dez para os sinais de pontuação de uso internacional, correspondendo aos 10 sinais da primeira linha, localizados na parte inferior da cela Braille: pontos 2356. Os vinte e seis sinais restantes são destinados às necessidades específicas de cada língua (letras acentuadas, por exemplo) e para abreviaturas.
Doze anos após a invenção desse sistema, Louis Braille acrescentou a letra "w" ao décimo sinal da quarta linha para atender às necessidades da língua inglesa.
Os chamados "Símbolos Universais do Sistema Braille" representam não só as letras do alfabeto, mas também os sinais de pontuação, números, notações musicais e científicas, enfim, tudo o que se utiliza na grafia comum, sendo, ainda, de extraordinária universalidade; ele pode exprimir as diferentes línguas e escritas da Europa, Ásia e África.
Em 1878, um congresso internacional realizado em Paris, com a participação de onze países europeus e dos Estados Unidos, estabeleceu que o Sistema Braille deveria ser adotado de forma padronizada, para uso na literatura, exatamente de acordo com a proposta de estrutura do sistema, apresentada por Louis Braille em 1837, já referida anteriormente.
O Sistema Braille aplicado à Matemática também foi proposto por seu inventor, em 1837. Nesta época foram apresentados os símbolos fundamentais para algarismos, bem como as convenções para a Aritmética e para a Geometria.
De lá para cá, novos símbolos foram criados, determinados pela evolução técnica e científica, e outros foram modificados, provocando estudos e tentativas de se estabelecer um código unificado, de caráter mundial, o que foi inviabilizado pela acentuada divergência entre os códigos.
Obs: Para uma melhor visualização salvar a imagem no computador e utilizar o recurso do zoom.
Curiosidade: Escrita correta - Braille ou braile???
Conforme MARTINS (1990, p. 344), grafa-se Braille somente quando se referir ao educador francês Louis Braille e grafa-se braile nos demais casos.
Braille
Braille é nome próprio. Especificamente, é o sobrenome de Louis Braille, que nasceu em 1809 e morreu em 1852, aos 43 anos de idade. Ele inventou o sistema de leitura tátil e escrita para cegos em 1825, quando tinha 16 anos de idade.
Como exemplos do uso do nome Braille, temos as frases:
"O livro consta de cartas de Braille ao Dr. Pignier" (IBC, 2005, p.30). "O Centro Cultural Louis Braille, de Campinas, desenvolveu, no ano de 1999, o projeto vídeo-narrado" (MARTINS, 2002, p.22). "Da organização do Instituto Benjamin Constant faz parte a a Imprensa Braille" (IBC, 2004, p.29).
braile
A palavra "braile" foi aportuguesada do vocábulo francês "braille", que por sua vez veio do nome "Braille". Portanto, "braile" é um substantivo comum masculino. A palavra braile é utilizada em duas situações:
a) com a função de adjetivo formando um conjunto: sistema braile, máquina braile, relógio braile, dispositivo eletrônico braile, biblioteca braile etc.
b) como substantivo, antecedido pela preposição "em": escrita em braile, cardápio em braile, placa metálica em braile, livro em braile, jornal em braile, texto em braile etc.
Braille
Braille é nome próprio. Especificamente, é o sobrenome de Louis Braille, que nasceu em 1809 e morreu em 1852, aos 43 anos de idade. Ele inventou o sistema de leitura tátil e escrita para cegos em 1825, quando tinha 16 anos de idade.
Como exemplos do uso do nome Braille, temos as frases:
"O livro consta de cartas de Braille ao Dr. Pignier" (IBC, 2005, p.30). "O Centro Cultural Louis Braille, de Campinas, desenvolveu, no ano de 1999, o projeto vídeo-narrado" (MARTINS, 2002, p.22). "Da organização do Instituto Benjamin Constant faz parte a a Imprensa Braille" (IBC, 2004, p.29).
braile
A palavra "braile" foi aportuguesada do vocábulo francês "braille", que por sua vez veio do nome "Braille". Portanto, "braile" é um substantivo comum masculino. A palavra braile é utilizada em duas situações:
a) com a função de adjetivo formando um conjunto: sistema braile, máquina braile, relógio braile, dispositivo eletrônico braile, biblioteca braile etc.
b) como substantivo, antecedido pela preposição "em": escrita em braile, cardápio em braile, placa metálica em braile, livro em braile, jornal em braile, texto em braile etc.
Leia mais em: http://www.diversidadeemcena.net/braile04.htm
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Entrevista com professora alfabetizadora de cegos
Sabemos que se tratando de educação não existe receita pronta porém todo e qualquer material pode se tornar referência para nosso aprendizado. Por isso, pesquisamos na internet e encontramos entrevista realizada com uma professora da E.E.E.M - Senador Alberto Pasqualini, em Santo Augusto – RS que é
alfabetizadora de cegos.
(Link: ttp://proavirtualg28.pbworks.com/w/page/18670719/ESTRAT%C3%89GIAS%20DO%20ENSINO%20DE%20ALFABETIZA%C3%87%C3%83O)
Confira abaixo:
PERFIL DA PROFESSORA:
Nome:
Neiva Inês Schaefer Gutjaler
Formação:
· Pedagogia da Educação Especial – UNIJUI
· Especialização na área da Deficiência Visual – UNIJUI
· Capacitação em Orientação e Mobilidade – MEC/SE-RS
Experiência Profissional:
6 anos de atuação em Sala de Recursos para Deficientes Visuais
Atuação:
Professora na E.E.E.M. Senador Alberto Pasqualini, em Santo Augusto – RS, com 8 crianças cegas e 5 crianças com baixa visão (que variam de 5 a 18 anos).
1- Qual a maior dificuldade em alfabetizar crianças com Deficiência Visual?
A criança com perda visual severa pode apresentar ainda atraso no desenvolvimento global. Isto se deve em grande parte à dificuldade de interação, apreensão, exploração e domínio do meio físico.
Essas experiências significativas são responsáveis pela decodificação e interpretação do mundo pelas vias sensoriais remanescentes (táteis, auditivas, olfativas, gustativas). A falta dessas experiências pode prejudicar a compreensão das relações espaciais, temporais e aquisição de conceitos necessários ao processo de alfabetização.
O sucesso escolar da criança vai depender de uma série de fatores, independentemente da idade em que comece a freqüentar a escola e do tipo de programa no qual esteja matriculada.
2- Qual é a diferença entre cegueira e baixa visão?
Baixa visão: é a alteração da capacidade funcional da visão, decorrente de inúmeros fatores isolados ou assiciados taiscomo: baixa acuidade visual significativa, redução importante do campo visual, alterações corticais e/ou de sensibilidade aos contrastes que interferem ou limitam o desempenho visual do indivíduo.
Cegueira: é a perda total da visão até a ausência de projeção de luz.
3- O processo de construção de aprendizagem da leitura e da escrita, em comparação às crianças sem DV, é diferente. De que forma isso é feito?
Acredito que a grande diferença que existe entre a aquisição da aprendizagem da leitura e da escrita de uma criança DV e uma vidente, está no seguinte:
antes de aprender como se escreve e como se lê, a criança vidente tem algumas idéias sobre leitura. Ela tem contato com a escrita na rua, na televisão, nos jornais e em muitos outros lugares. Vê pessoas lendo e escrevendo e pensa sobre isso. A criança vidente incorpora assistematicamente hábitos de leitura e escrita desde muito cedo. No entanto, a criança cega demora muito tempo a entrar no universo do ler escrever. O sistema Braille não faz parte do dia-a-dia, como um objeto socialmente estabelecido, porque somente os cegos se utilizam dele. A descoberta das propriedades e funções da escrita tornam-se impraticáveis para esta criança, caso não tenha acesso a essa comunicação alternativa.
4- Qual a bagagem de conhecimento, em relação à escrita, essas pessoas trazem para a escola?
Infelizmente a grande maioria das crianças cegas só tomam contato com a escrita e a leitura no período escolar. Esse impedimento, sabe-se, pode trazer prejuízos e atrasos no processo de alfabetização.
5- Que metodologia você acredita ser mais apropriada para iniciar o processo de alfabetização de cegos?
A aprendizagem das técnicas de leitura e escrita no sistema Braille, dependem do desenvolvimento simbólico, conceitual, psicomotor e emocional da criança. Essa evolução satisfatória nem sempre se dá de forma espontânea para a criança cega. Daí a necessidade de prestar especial atenção às habilidades e necessidades do aluno cego antes de decidir o momento de ensinar o ensino da simbologia.
Gostaria de mencionar, de forma bem suscinta, os fatores que interferem na aprendizagem da leitura e da escrita Braille:
- organização espaço-temporal;
- interiorização do esquema corporal;
- independência funcional dos membros superiores;
- destreza manual;
- coordenação bimanual;
- independência digital;
- desenvolvimento da sensibilidade tátil;
- vocabulário adequado a idade;
- pronúncia correta (diferenciação de fonemas similares);
- compreensão verbal;
- descriminação auditiva;
- motivação ante a aprendizagem;
- nível geral de maturação.
Quanto ao método utilizado para alfabetizar dadas as particularidades do ensino do sistema Braille creio que o professor pode fazer sua opção, conforme o estilo “perceptivo do aluno”. Levando em consideração os fatores mencionados anteriormente, entre outros.
O método fonético ou sintético tem por objetivo básico ensinar ao aluno o código ao qual os sons são convertidos em letras ou grafemas ou vice-versa, separando inicialmente a leitura e o significado. Decifrar o sistema Braille é uma decodificação de natureza perceptivo-tátil e não garante aprendizagem conceitual e interpretação necessária ao processo de leitura.
Já o método silábico ou alfabético, as sílabas são combinadas para formar palavras. Em geral, quando se ensina por esse método, inicia-se por um treino auditivo, por meio do qual o aluno é levado a perceber que as palavras são formadas por sílabas ou por grupos consonantais. A partir daí o aluno assimila a forma gráfica da sílaba a qual atribui o devido som. Nesse método apresenta-se inicialmente a família silábica, em seguida, palavras, frases e textos.
Para ambos os métodos deve-se propor conteúdos significativos adequados à idade, visto que a leitura, como instrumento de comunicação e de informação, será mais tarde estimulante e motivadora por si mesma.
Durante o período de alfabetização, o aluno focaliza mais sua atenção na interpretação dos significados e nos aspectos formais da mensagem escrita. Por isso, durante essa primeira etapa as palavras e as frases que se apresentam têm de ser curtas e carregadas de um conteúdo emocional que suponha um reforço imediato ao esforço realizado. As mensagens devem apresentar-se com palavras que já tenham sido trabalhadas oralmente pelo aluno e com estruturas lingüísticas familiares para ele.
Em relação a seqüência de apresentação das letras, deve-se levar em consideração as dificuldades específicas do sistema Braille, a semelhança de símbolos, a reversibilidade, assimetria, dificuldades de percepção de cada fonema.
Alguns alunos podem mesmo não aprender a ler e escrever. Isso é possível nos casos de alunos que possuem deficiências associadas a DV. Outros podem adquirir com mais lentidão a habilidade de leitura (que será desenvolvida com a prática) e escrita.
Educar uma criança cega não é uma missão fácil. O profissional que pretende entrar neste campo de ensino, precisará saber que a criança cega ou baixa visão, é um ser que se desenvolve, que constrói, que aprende. Mas, ela apresenta necessidades específicas que reclamam um atendimento especializado e basicamente dirigido a essas especialidades. Seu crescimento efetivo dependerá exclusivamente das oportunidades que lhe forem dadas, da forma pela qual a sociedade a vê, da maneira como ela própria se aceita.
Portanto, não há uma receita pronta e infalível para educar uma criança cega. O professor tem de conhecer o aluno que tem diante de si o sobre o qual recai sua atenção a ação pedagógica. No preparo e na coerência da prática docente pode-se encontrar soluções para grandes problemas.
6- Que recursos didático-pedagógicos são utilizados neste processo?
Os recursos que são indispensáveis no processo ensino-aprendizagem do aluno cego ou de baixa visão, são os seguintes: regletes, punção, células Braille, sorobã, máquina de escrever em Braille, material impresso em Braille, gravador, bengala, bola com guizo, tronco humano desmontável, lupas, mapas em relevo,... além de outros materiais que são os mesmos utilizados com crianças videntes, só que adaptados.
7- Que materiais impressos circulam no meio em que vivem estas crianças? Que acesso elas têm a esse material?
Jornais revistas..., material em Braille, somente o que a escola fornecer.
8- Como você vê a inserção destes alunos numa sociedade dita "letrada"?
Eu acredito que entre uma criança considerada normal e uma criança cega não exista uma diferença essencial. O que as diferencia, consiste somente no caminho que desenvolve o seu desenvolvimento. Portanto, o importante não é que o cego veja as letras, o importante é que as saiba ler. O importante não é que o cego leia e escreva exatamente do mesmo modo que nós (videntes) e que aprenda isto igual a nós, o que importa é que ele saiba fazer isto.
Ler com a vista ou com os dedos, em essencia é a mesma coisa! Claro que educacionalmente é distinto e requer um sistema diferenciado.
9- Qual a contribuição da linguagem Braille para pessoas cegas?
Precisamente a linguagem braille e a comunicação com os videntes se constituem o meio fundamental de compensação do cego. Deixado a sua própria sorte, encerrado no âmbito de sua própria experiência, excluído da experiência social, o cego se desenvolve como um ser totalmente peculiar profundamente distinto do homen considerado normal e sem adaptação alguma da vida e do mundo dos videntes. Supõe-se que no caso de uma comunicação exclusiva entre cegos, sem intervenção nenhuma dos videntes, poderia nascer uma categoria especial de pessoas.
A palavra vence a cegueira. Por isso, o objetivo fundamental da educação do cego não consiste em desenvolver, refor~çar ao máximo os outros sentidos, não reside na compensação orgânica direta da visão ausente. Consiste em incorporar a criança cega através da linguagem, a experiências social dos videntes.
10- Sabemos que a legislação brasileira ampara os portadores de necessidades especiais para a sua inclusão em todas instâncias sociais. Entretanto, entre o real e o ideal há uma distância. Como você vê a preparação dos educadores e do mercado de trabalho para a efetivação desta inclusão?
A dificuldade de colocação profissional vem sendo enfrentada por uma parcela significativa de brasileiros, e com relação ao deficiente visual ela é agravada, pela infundada crença de que a cegueira afeta todas as funções do indivíduo e que são restritas as atividades possíveis de ser realizadas pela pessoa cega ou de visão reduzida. O receio dos problemas de interação com o grupo de trabalho, da ocorrência de acidentes e o custo de adequações e aquisição de equipamentos especiais é, certamente, outro fator de impedimento de acesso da pessoa cega ao mercado de trabalho.
Quanto aos profissionais da educação, penso ser de fundamental importância investir na “formação”, pois a educação inclusiva conduz a necessidade do professor saber respeitar e conviver com as diferenças, buscando estratégias que viabilizem seu trabalho no e para a diversidade, estando e sentindo-se preparado para adaptar-se às novas situações que poderão surgir no interior da sala de aula. Acredito também que esta formação auxiliará no sentido de ajudar a desmistificar conceitos e preconceitos que temos em relação PNEE.
Certezas provisórias e dúvidas temporárias
Certezas Provisórias:
Alfabetiza-se pelo uso do Braile.
Utilizam recursos auditivos.
Utilizam programas de computador: DOSVOX e NVDA.
Dúvidas Temporárias:
Reconhecem o alfabeto convencional?
Aprendem com mais facilidade utilizando o tato ou a audição?
quarta-feira, 20 de março de 2013
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